[Diversos] Fim de semestre 1/2
Uma bela noite sem nada para fazer, liguei para meus amigos de longa data e resolvemos nos encontrar. No encontro, revi aquele companheiro de infância que hoje em dia faz Engenharia de Qualquer-coisa na mesma universidade que eu. Como de costume, uma das minhas primeiras perguntas foi:
- E aí? Como vai o curso?
A já esperada resposta veio logo em seguida:
- Nossa, muito estressante! Amanhã mesmo tenho prova de cálculo e não agüento mais estudar! Aliás, tenho que ir para casa cedo! E a sua?
Nessa hora, não tem como enganar. Até dá para puxar a brasa para a sua sardinha, dizendo que fazer cartazes não é moleza, que levantar idéias para um logotipo é exaustivo e que eu perco o sono desenhando uma cadeira. Mas sinceramente, meu semestre é bem suportável. Até comecei projeto paralelos, como o desenvolvimento de um baralho de Super Trunfo com os colegas de sala, além de caricaturas mil. Mas tudo isso antes do surgimento da temível fera invisível, que só de pensar nela já me dá calafrios: o fim do semestre.
Pessoalmente, não conheço nenhum estudante universitário que não trema nas bases quando esse período chega. Nem mesmo professores, coordenadores, servidores, patrões, estagiários… Ninguém passa imune. E mesmo que a minha faculdade de Design Gráfico seja tolerável durante todo o resto do semestre, suas últimas semanas são de tirar do sério. E eu falo sério.
Algumas das obrigações eram: a criação de um cartaz sobre cultura brasileira, a criação de um livro de numerosos grafismos (desenhos) sobre um ser vivo, a encadernação de todos os trabalhos feitos para uma disciplina e a criação de capa e uma caixa para tudo isso (devidamente contextualizado e explicado) e, por último, o desenvolvimento de uma fonte tipográfica (exemplos: Times New Roman, Tahoma, Verdana, Arial, Comic Sans) junto de uma fundamentação teórica.
Visto que minha capacidade de manipulação de softwares de síntese gráfica é limitada, minha saída foi usar e abusar da criatividade em todas as tarefas. O cartaz tirei de letra, fiz um livro de receitas fantásticas de brócolis, usei uma cesta de feira para meus trabalhos sobre a forma e cores da melancia… Exceto o livro de receitas que me custou uma noite inteira de sono, todos foram feitas com um sorriso no rosto.
Agora, a criação da fonte… Ah, a criação da fonte. Eu poderia escrever sem dificuldade cinco textos extensos a respeito. Ela foi a culpada por muitas noites de pouquíssimo sono. Não só a parte prática de sentar numa cadeira em frente ao computador e desenhar as letras maiúsculas, minúsculas, números, símbolos, letras com acentos etc. Também marcaram presença no palco da minha insalubridade computadores impotentes, professores que mais eram obstáculos, falta de compreensão de muitas pessoas pelas minhas ausências e afastamentos. Todos esses fatores fizeram a minha última semana de aula beirando o insuportável. Ao entregar a última parte do trabalho nas mãos da professora, minha reação não foi outra além de correr pelos corredores gargalhando.
Todas essas noites sem dormir, esse convívio com pessoas passando pela mesma situação desconcertante, fazendo pouco além de sair da sala e sentar na frente do computador… Considero-me uma pessoa afortunada, capaz de passar um dia inteiro sem me zangar. Mas reconheço que senti na pele o que é stress de verdade. Daqueles que fazem você ter mal-estar, pouco apetite e falta de sono.
Esses momentos vazios fazem você querer correr até suas pernas não agüentarem mais. E realmente, na primeira oportunidade, você acaba fazendo isso ou algo parecido. Você abraça oportunidades que não abraçaria antes, só para sentir no rosto a brisa suave da liberdade. É sobre essas novas idéias que eu escrevo na próxima vez.
Namastê.
Fernando S.A.
Ouvindo -> The Outfield – Your Love
05/07/2009 às 7:02
Eu, como companheiro de curso, faço minhas as palavras do Fernando. Fim de semestre é como caminhar no inferno. Todos os grande e mais problemáticos trabalhos são deixados pro final e tudo se acumula numa montanha gigante que não pareça ter fim. Bom, a gente ficou de domingo até quinta feira fazendo o maldito projeto de fonte, entre erros, problemas em softwares, conversas nonsense e muita frustração, salvaram-se todos (menos o meu braço, mas isso já é outra história).
O que foi aprendido com isso tudo? Basicamente que fazer fontes é um saco! E que existem professores que de tão medíocres não mereciam não botar o pé dentra da universidade.
Bom, o lado bom disso foi que, com as noites mal-dormidas, a gente pode conversar sobre tudo, absolutamente tudo (convenhamos, 4 dias dormindo 3 horas por noite da um puta espaço pra assuntos diversos) e que sem a ajuda do Fernando Piccolo Braqui, eu ia estar fudido pra fazer a fonte sozinho, já que meus conhecimentos de softwares são muito inferiores ao dele… T-T
Com isso tudo, eu só posso afirmar que, fontes fazem mal a saúde (principalmente a mental) e que o Fernando cada vez mais tem se mostrado como um grande (1,90m?!!?!?) amigo, companheiro de festas a fantasia e de conhaque de alcatrão com leite (crianças, não façam isso em casa!).
Por hora é isso.
Até mais, meninão!